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sábado, 16 de maio de 2009

sábado, 4 de abril de 2009

Primavera


Campos floridos
doces pinhais
onde os mugidos
são naturais.

Verdes campinas
rios cantantes
que saltitantes
cavam ravinas.

Sopros de vento
fontes cantando
aves voando
no firmamento.

Oh! Quem me dera
sempre viver
o renascer
da Primavera.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Castelo de sonhos


No cimo
no ponto mais alto
do meu castelo feito de sonhos
-Estás tu.

Cá em baixo
insignificante
pequenino,
ajoelho-me
e chamo-te
-Minha rainha.

Na bruma nocturna
sonho.

E esse castelo
feito de sonhos,
pedra por pedra
vai-se erguendo.

(Sou um poeta)
-Louca ambição. . .

Pelo menos
não me falta
inspiração.

M.A.S.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Caminho nocturno


Ouço através da janela,
a chuva, o cantar do vento;
E da minha escura cela
Olho a molhada viela
caída no esquecimento.

Viela, pedras brilhantes
abandonadas no chão;
Pedras húmidas, cortante.
Pedras negras, suplicantes,
que esperam seu perdão.

E a chuva e o vento,
ouço através da janela;
Olho ainda sonolento
caída no esquecimento
a minha pobre viela.

Nostálgico, fico olhando
as pedras do meu caminho;
fico vendo-as suplicando
e entre si murmurando,
e ouço-as chorar baixinho.

M.A.S.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Olha-me


Olha-me nos olhos meu bem
E vê o meu olhar tão triste,
Tão triste como nunca viste
Por ter de recordar alguém.

Olha-me com amor também;
Mas se alguém no mundo existe
Assim com um olhar tão triste
Peço-te um olhar de desdém.

Triste sigo na minha andança,
Alimenta-me a esperança
Que chegarei a alcançar.

Até lá serão simples sonhos,
Chorarão meus olhos tristonhos
Tanto, que amarás meu olhar…

M.A.S.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Temporal


Ulula o vento
No seu lamento,
Doce bramir.

A tarde desce,
A noite cresce,
Faz-se sentir.

Ramagens tortas
De folhas mortas
Sempre a sofrer.

E quem as vê
Sonhando crê
Vê-las viver.

Quem talvez sente
O amor ausente,
Pode chorar
A horas mortas.

Batem as portas
Sem descansar.

E as folhas caem
E se contraem
Loucas no chão.

Os homens passam
E as rechaçam
Sem compaixão.

Folhas caídas
Vidas vividas
Sempre a cantar
A horas mortas.

Batem as portas
Sem descansar.

No seu açoite
Sopra na noite
O vento frio,
Num assobio
De arrepiar
A horas mortas.

Batem as portas
Sem descansar.

E a madrugada
Tão ansiada
É sonho triste.

Luar tristonho
É simples sonho
Que não existe.

A esta hora
Chove lá fora
-A neve cai -
Doce cantar
A horas mortas.

Batem as portas
Sem descansar.

M.A.S.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Morre o dia lentamente


Morre o dia lentamente. . .

Para as bandas de ocidente
onde parece que o céu
se debruça sobre o mar,
o sol coberto de sangue
mergulha no oceano
como para se querer refugiar . . .

No alto
a lua redonda aparece receosa.

E na praia solitária
escutando o marulhar
eu quero fugir do dia.

E o dia morre
deixando-me só . . .

. . .olhando o mar . . .


M.A.S.

sábado, 10 de janeiro de 2009

II-Noite


Lá fora, furioso, ruge o vento.
no meu quarto, com frio, encolhido,
ouço no escuro um débil gemido
terno, arfante sem ser um lamento.

Pela janela vejo o firmamento,
ouço a tua voz num eco tremido;
E um desejo louco e incontido
transforma-se em meu peito, em sofrimento.

Surge-me a tua imagem num anseio,
Chama-me a tua voz e, firme, eu creio
que nunca deixarei de a adorar.

Na noite, cai a chuva docemente.
No céu, nem uma estrela reluzente;
E eu, só, continuo a divagar.

M.A.S.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A minha primeira poesia


Montados em grandes camelos
caminham p´lo extenso deserto
três homens de grisalhos cabelos;
Caminham num sentido certo.

Os homens são os reis magos
que vêm do Oriente;
Caminham devagar já cansados,
caminham sempre para Ocidente.

Sempre pela estrela guiados
chegaram às terras do Além
para adorar o Deus menino
que nascera em Belém.

Depois de terem descansado
e sempre fiéis à sua cruz
dirigiram-se ao estábulo
onde nascera o Deus Jesus.

Adoraram o Deus Menino
como seu único Senhor;
Adoraram-no como se adora
ao nosso Rei, o Salvador.

Depois de O adorarem
ofereceram-lhe lindos presentes:
ouro, incenso, mirra
e brocados reluzentes

MAS
(Aos 12 anos
Lobito, 1960)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Vagueando pela noite


Árvores negras,
Lâmpadas de fraca luz,
Sussurro do rio que passa.

Bancos de jardim povoados
Onde pululam sombras inquietas
Que se aproximam
Se afastam
E por fim se enlaçam
Num amplexo de loucos desejos…

Risos
Gargalhadas
Recusas…
Gemidos ténues
Murmúrios quentes…

Notas distantes
Chegam aqui
Misturadas,
Embrulhadas
Com as de uma canção.

Ferem a noite
Estranhos convites
De perdição…

M.A.S.

domingo, 16 de novembro de 2008

Resíduos


Alegrias,tristezas,questões,
Tudo tivemos.
Amor,felicidade,desilusões,
Também conhecemos.

Agora,tudo findou.

Sonhos,castelos,
Estrelas,luar,
Horizontes belos...

Nada mudou.

Só resta o penar,
O triste sofrer...
Pelas ruas andar
Sozinho a viver.

Uma núvem despeja
Gotículas de água,
Num leve rumor.
Meu ser só deseja
Que esta minha mágoa
Fique sempre amor.

M.A.S.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

II-Chegada do Outono


Vão encurtando os dias lentamente,
e as fracas torrentes engrossando;
Vão as aves no espaço vagueando
e as folhas caindo docemente.

De dia cai a chuva persistente,
na mesma voz de noite vai cantando;
Vão os pobres nos charcos chapinhando
e o vento assobia loucamente.

Oscilam com doçura os arciprestes;
A neve cai nos píncaros agrestes
arremessada ao chão num abandono.

Vê-se ao longe no trágico horizonte
surgir a noite escura atrás de um monte
anunciando a vida de outro Outono.

M.A.S.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Balada triste da perdição

Olhos nos olhos perdido
eu vivo fugido
do mundo a cantar.

Sonhos, quimeras, saudades,
mentiras, verdades,
estão-se apagando.

Beijos de ingenuidade;
Tuas leviandades
que me vão matando.

Olho o caminho perdido
num simples pedido
desse teu olhar.

M.A.S.
Novo Redondo

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O amanhã


O Amanhã…o que será?
Será porventura o passado,
Ou será um sonho olvidado,
Ou quimera que morrerá?

O Amanhã…que nos dará?
Talvez o sossego ansiado
Num horizonte iluminado,
Ou o ontem que voltará?

Será talvez de Esperança,
De tempestade ou de bonança,
Ou futuro de glória vã?

Será um amanhã risonho,
Cheio de claridade e sonho,
Será um feliz amanhã!


M.A.S.(Luanda)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Cântico nocturno


Ouço através da janela,
A chuva, o cantar do vento;
E da minha escura cela
Olho a molhada viela
Caída no esquecimento.

Viela, pedras brilhantes
Abandonadas no chão;
Pedras húmidas, cortantes,
Pedras negras, suplicantes,
Que esperam seu perdão.

E a chuva e o vento
Ouço, através da janela;
Olho ainda sonolento
Caída no esquecimento
A minha pobre viela.

Nostálgico, fico olhando
As pedras do meu caminho;
Fico vendo-as suplicando
E entre si murmurando
E ouço-as chorar baixinho.

M.A.S.
Novo Redondo, Angola

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Os teus olhos


A vida é bela
quando há algo
com que sonhar.

Quimeras passam
vêm saudades
que se acendem
no meu peito
ansioso de vida.

A vida é bela
é um sonho de criança
um pedido de inocência.

É bom amar;
A vida é bela;

E eu vivo
só porque sonho
com os teus olhos.


M.A.S.
Nova Lisboa,1969

quinta-feira, 6 de março de 2008

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008