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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Fim de tarde


Mais um dia acaba, mais uma tarde se esmai.
Aqui a agonia da tarde é longa.

Uma aragem fresca e doce sopra vinda do mar, anunciando que o fim do verão está próximo.

Como é agradável sentir o cheiro acarilado misturado com maresia que se sente no ar e que se torna mais forte com o início da noite.
Faz-me transportar para outras paragens bem longínquas.

O sol na "sua" corrida para o sul, já não é tão quente nem tão dourado.

Não consigo deixar de fazer comparações norte/sul,separadas por milhares de quilómetros.

Assim acabo mais um dia de verão, junto ao mar tomando um café, e ouvindo boa música.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Frescura

- Para refrescar e colorir os dias que vão passando...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Pensamento

Só para te "provar" que hoje senti o teu cheiro.

domingo, 18 de maio de 2008

Beijos


O beijo é uma forma de cultura ...

através dele

conhecemos várias línguas

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Perfeição

Os pés, as calças,as mãos, os braços, o bronzeado, a camisa, o rosto, o cabelo, e principalmente o olhar...Tudo é perfeito

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

As flores do jacarandá

O jacarandá florido
Brando cantar trazia
Branda a viola da noite
Branda a flauta do dia

O Jacarandá florido
Brando cantar trazia
O vinho doce da noite
A água clara do dia

Quem o olhava bebia
Quem o olhava escutava
O jacarandá florido
Que o silêncio cantava


Matilde Rosa Araújo

Jardim


Houve um tempo em que minha janela se abria

sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.

Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,

e o jardim parecia morto.

Mas todas as manhãs, vinha um pobre com um balde,

e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.

Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.

E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros,

e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.

Outras vezes encontro nuvens espessas.

Avisto crianças que vão para a escola.

Pardais que pulam pelo muro.

Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.

Borboletas brancas, duas a duas, como reflectidas no espelho do ar.

Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.

Às vezes, um galo canta.

Às vezes, um avião passa.

Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.

E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,

que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,

outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,

finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

sábado, 2 de fevereiro de 2008

A manga



Fruta do paraíso
companheira dos deuses
as mãos
tiram-lhe a pele
dúctil
como, se de mantos
se tratasse
surge a carne chegadinha
fio a fio
ao coração
leve
morno
mastigável
o cheiro permanece
para que a encontrem
os meninos
pelo faro

Ana Paula Ribeiro Tavares

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Cajueiro plantado no cérebro


- Oh, velho, disforme, cambuta, retorcido, feio-
-maravilhoso cajueiro da minha infância!
Vem de longe estender tua sombra amiga
Sobre meu corpo longo de suor e desespero...


Traz-me a carícia de tuas folhas-
-paraus de piratas nas lagoas da chuva
(Estou longe, quero regressar à minha terra...)
O suave aroma de teus ramos de pele encarquilhada, resinando,
Os esconderijos de teus braços nos cigarros proibidos.

Vem de longe, desse fundo sem eco da distância,
E traz-me a doce fragrância de um só caju maduro
Marcado com meu nome e data
E que os outros não descobriram...

Oferece-me a última vez que seja na vida
Teus ramos tenros para marinhar
Acrobacias impossíveis:
- Énu mal'ê! Énu mal'ê

António Cardoso

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Fruta


Quitanda de fruta verde,
dá-me um gomo de laranja
para matar a sede.
Ou, então, será melhor
dar-me um veneno qualquer
porque eu ando perturbado
e o meu sonho anda queimado
por uns olhos de mulher!

- Minha senhora, laranja,
limão, fresquinho, caju,
ananás ou abacate!...

E a quintandeira passou,
saudável, viva, graciosa,
com uma flor desfolhada
no seu sorriso escarlate.

E no ar um som de musica ficou
e um perfume de fruta
que não matou minha sede

Ó agri-doce quitanda
da fruta verde!...

Tomás Vieira da Cruz

domingo, 13 de janeiro de 2008

Oferta



Sou a quitandeira mais doce
que todos os doces de côco,
minha boca é tão docinha
como a fruta da minha quinda.

Tenho os seios para dar
duas laranjas do Loje,
tenho nos olhos pitangas
tão boas de namorar

Tenho o Sol na barriga
e doçura da manga nos braços,
quem quer a minha vida
pra adoçar os seus cansaços?

António Cardoso