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sexta-feira, 13 de março de 2009

África minha cantora


Guitarra,que estás tocando?
Não vês a cor do luar?
Não vês a cor do Sertão?

Não vês a erma magia
Romântica Tentação
Desta Angola que nos criou
E nos toca o coração?

Repara a ganga infiltrando
Em selvagem natureza
O feiticeiro espeldor;

Ouve o cantar das viuvinhas,
Dos chacais ouve os latidos;
Vê o clarão das queimadas
E o romper das madrugadas
Em quadros belos...perdidos...

Guitarra, que estás tocando
Nesta noite de luar?
Não vês para além das chamas
As mucaias a gingar?
Olha as sombras africanas
Bricando sob o palmar...

Ouve o rugir do leão
Ouve o chorar duma hiena
E verás quão bem pequena
É tua voz no Sertão!

E quando vires o manto
Do grande Zaire entre as relvas...
Pára guitarra teu canto
E deixa cantar as Selvas

Eduardo Brazão-Filho

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Apelo ao Menino Jesus


Menino Jesus branco, Menino Jesus branco,
Vem connosco
Comer funge com as mãos.
Vem saborear comida de negro:
Musongué, canjica, calulu,
Quifufutila, quitaba, matandi;
Vem beber bolunga, marufo,
Quimbombo e macau.

Vem, Menino Jesus branco,
Vem dançar nossas rebitas,
Massembas e quilapangas.

Vem ouvir a magia das marimbas,
Das puitas e quissanges
E extasiar-te ante a grandeza dos batuques.
Se te cansares,
Também há uma esteira de matêba,
Para te deitares connosco .

Ah! Menino Jesus branco,
Este é o dia-a-dia do mundo do negro!
Um mundo em que tu, Menino Jesus branco
Estás convidado a viver
Nem que seja por um só dia!


Eduardo Brazão-Filho

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Os frutos da nossa infância



Não deixem que a gajaja
e o maboque
sejam simplesmente na memória do futuro
singelas recordações
do nosso antigamente.


Não permitem que a saborosissima noxa
deixe unicamente na boca da nossa infância
o gosto e o perfume do guloso apetite.


Que o paladar agridoce do tambarino
não de esfume no tempo de só lembrança
e a pitanga
não nos recorde apenas além do sumo
o rubro dos lábios sequiosos
do beijo apaixonado.


Não façam que o mirangolo,
a manga, o sape-sape
se consumam como fogo ardente
dos desejos,
deixando-nos a nostalgia
dum sabor embriagante.


E a goiaba, a múkua,
o trabalho ou o coroado ananás
continuem para sempre a reinar pelo tempo
de todas as infâncias
como frutos abertos ao paladar
dos nossos desejos a todo o momento.


Que toda esta riqueza suculenta
da nossa amada terra
a nossa mãe Angola
continue,
através de todos os cacimbos.
no incontravel tempo,
enchendo nossas kindas
desse gostoso e incomparável
maná


(Eduardo Brazão- Filho)