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segunda-feira, 22 de março de 2010

Esta noite

Tela de Franciszek Zmurko



Esta noite dormi perdida, entregue nos teus braços,
saciada e exausta,
deitei-me de ventre para baixo, nua,
deitada por cima de ti,
embriagada pelo teu cheiro, o calor do teu corpo,
as tuas entranhas, o teu abdómen,
as tuas mãos, nas minhas costas,
o teu abraço guardando-me profundamente,
para que não fugisse,
para que não quebrasse o nosso laço de cumplicidade,
adormecido estavas entregue a mim,
longe de tudo e de todos,
queria chamar-te para que me possuísses novamente,
mas o teu sono era tão profundo,
em paz, que fiquei ali,
somente a contemplar-te como podias ser meu,
sem estares ali, mas mesmo assim,
fazendo parte deste meu sonho desperto.


Sónia Sultuane




sexta-feira, 22 de maio de 2009

Deixem-me viver no meu mundo


Já tão cansada desta vida pergunto-me como será a outra?
mais tranquila, mais segura?
dormente a minha parece estar,
olho a volta onde estou?
que mundo será este?
se não tivesse vivido o que vivi e o que sofri,
quem seria eu?
onde iria buscar toda esta vontade de correr,
os meus dedos que querem escrever, e tanto,
sou louca ou infantil?
ou por momentos deixo correr o meu pensamento,
e mostro ao mundo, o que me consome aos poucos,
a muitos aflige aos que dizem ser eu criança, insegura, imatura!
o que tanto escrevo?
deprimo-me,
deixem-me ...
deixem-me viver no meu mundo,
tornar falas todas as palavras ,
deixem-me no meu mundo doce e infantil, mas meu.


Sónia Sultuane