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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Quero acabar entre rosas

Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância.
Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.
Falem pouco, devagar.
Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento.
O que quis? Tenho as mãos vazias,
Crispadas febrilmente sobre a colcha longínqua.
O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.
O que vivi? Era tão bom dormir!

Álvaro de Campos

terça-feira, 30 de março de 2010

Quero alongar a vista...

(...)
(...)

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras.

(...)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Aproveitar o tempo...


(...)
Aproveitar o tempo!
Tirar da alma os bocados precisos - nem mais nem menos -
Para com eles juntar os cubos ajustados
Que fazem gravuras certas na história
(E estão certas também do lado de baixo que se não vê)...


(...)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Todos os sonhos do mundo


”Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim

todos os sonhos do mundo."